Terça-feira, Abril 08, 2008

Opinião: O Conceito de Vitória Moral





      
      Há dias enquanto lia a Revista Portuguesa de Xadrez (rpx) deparei-me com um termo que reflecte na íntegra, uma das situações mais comuns em torneios de xadrez. Trata-se do termo "vitória moral", isto é, uma vitória imposta pelo adversário derrotado durante a análise posterior da partida. Por outras palavras, é quando se procuram justificações e se encontram linhas de análise, na tentativa de reconverter uma derrota numa possível vitória
      Como é do conhecimento de todos os xadrezistas qualquer posição condiciona o desenvolvimento de uma partida de xadrez, existem por conseguinte, inúmeras possibilidades a partir de um lance executado, e por isso, há uma cadeia de relações, que seria obviamente contrariada se existisse a alteração de um movimento. Porém, isto não invalida que se produzam análises e se chegue a diversas conclusões após o fim de um jogo. Aliás, toda a teoria encaquistica tem se alicerçado: nas análises teóricas, introdução de novos lances, refutações, avanços e recuos de determinadas linhas e, menos frequente, a introdução de novos conceitos. Basta observarmos que o xadrez do séc. XIX baseava-se em conceitos completamente diferentes da teoria moderna introduzida durante o séc. XX.
      Na verdade, é este dinamismo teórico que torna esta modalidade cada vez mais interessante e cheia de vitalidade. É necessário uma actualização constante e uma capacidade de detectar as novidades que normalmente aparecem ilustradas, nos grandes torneios internacionais.
      Certamente a "vitória moral" é uma prática de amadores e profissionais com o intuito de encontrar uma razão (justificação) para minorar qualquer derrota sofrida, procurando superá-la psicologicamente. No fundo, esta é mais uma característica entre outras, que se inscrevem neste universo desportivo.




Escrito por Peãodobrado em 01:50:05 | Link permanente | Comments (2) |

Domingo, Novembro 18, 2007

Chessboxing






           
           O ChessBoxing foi inventado por um artista que se inspirou na Banda Desenhada de Enki Bilal (como podemos observar na imagem). Este desporto nascido na Bulgária resulta numa mistura híbrida entre o xadrez e o boxe, isto é, entre um desporto de carácter mental e outro de confronto físico. 

           O Chessboxing é constituído por 11 rondas intercaladas entre dois minutos de boxe e quatro minutos de xadrez, apenas com um minuto de descanso entre eles. O vencedor é aquele que consegue obter mais vitórias no total das rondas, quer através do knockout (KO), quer pelo xeque-mate. Quando os atletas disputam a partida de xadrez é colocado uns fones para não escutarem o barrulho do público, em caso de empate o árbitro atribui a vitória às pretas. O primeiro campeão da modalidade foi Rubingh, conhecido por "the Joker".

           Há quem defenda que este desporto alia de forma impar a força física com a inteligência, e que ambos têm muita coisa em comum. Sinceramente, não encontro muitos aspectos em comum, nem compreendo a lógica desta prática desportiva. Na minha opinião, o Chessboxing destrói duas modalidades autónomas que têm funcionando segundo determinados princípios, invertendo a sua lógica. Não creio que a comunidade xadrezistica se interesse pelo Chessboxing, e muito menos que siga com interesse as partidas ali disputadas. Mas só o futuro nos poderá dizer mais acerca do desenvolvimento desta modalidade.


Escrito por Peãodobrado em 22:54:28 | Link permanente | Comments (0) |

Terça-feira, Outubro 23, 2007

Opinião: O Profissionalismo no Xadrez


  
    
      O Profissionalismo no Xadrez é uma questão que merece ser debatida, principalmente quando se pretende aumentar o nível da modalidade no nosso país. O MI António Fróis tem escrito diversos artigos sobre este assunto, demonstrando por um lado a viabilidade desta profissão desportiva e incentivando outros atletas a seguirem os seus passos. É certo que não é uma actividade muito popular em Portugal, porque para além de não ter uma grande visibilidade desportiva, a opinião pública desconhece a sua existência. Quais foram os profissionais de xadrez entrevistados pela imprensa portuguesa? Que relevância foi atribuída ao seu trabalho?

      São questões pertinentes que nos levam a reflectir sobre o profissionalismo nesta modalidade. Penso que só é possível atingir determinados níves competitivos quando os atletas se profissionalizam e podem dedicar-se integralmente a uma actividade. Funciona do mesmo modo que outras actividades profissionais liberais, onde o próprio indivíduo cria o seu campo de trabalho, desbravando territórios para exercer a sua profissão. Apesar da incerteza e risco que envolve determinadas profissões liberais, por vezes, revelam-se muito mais compensatórias a nível pessoal. É o caso do xadrez, porque não se resume apenas à competição, mas apresenta diversas vertentes como a organização, o ensino, a arbitragem, entre outras. 

       
      Já existem pelo menos meia-dúzia de xadrezistas profissionais no nosso país que têm contribuído para o crescimento desta modalidade, contudo é ainda necessário apostar nas estruturas desportivas para reforçar o seu apoio e possibilitar o crescimento deste número. Creio, que só apoiando o profissionalismo, será possível, um dia, colocar um ou mais atletas na lista dos 100 melhores jogadores do mundo, e assim sonhar com um maior reconhecimento internacional do xadrez em Portugal. 


Escrito por Peãodobrado em 20:46:01 | Link permanente | Comments (0) |

Sábado, Abril 21, 2007

Opinião: Quando se perde uma partida de xadrez cai-se num vazio....

 

       Quando se perde uma partida de xadrez fica sempre um vazio....Essa situação deriva pelo menos de três factores: a incapacidade de conseguir tirar vantagem durante o jogo, a perda de um ponto importante para a equipa e por fim uma espécie de frustação pessoal. Também é verdade que as derrotas são os nossos melhores professores, porque nos obrigam a analisar toda a partida e a reformular a nossa concepção de jogo face a uma determinada abertura. Qualquer partida de xadrez exige um nível elevado de concentração, que deve ser obtido logo no início do jogo, de preferência antes ou durante os primeiros lances. Esta capacidade é talvez a mais difícil de gerir, e também aquela que nos pode proporcionar melhores resultados, no entanto, para aprimorá-la é necessário alguns anos de prática.

        Em qualquer derrota deve-se evitar o tipíco cliché da justificação primária, isto é, atribuir a responsabilidade a factores externos. Todo o praticante desta modalidade fá-lo de forma inconsciente para sanear a marca dos destroços, procurando que o edifício do conhecimento encaquistico não se desmorone como uma barralho de cartas. É, portanto, fundamental afastar essas forças primárias, e subsituí-las por algo construtivo que possa contribuir para alicerçar de novo o nosso pensamento .

        "A prática deve ser sempre edificada sobre a boa teoria".....Leonardo Da Vinci

Escrito por Peãodobrado em 12:35:07 | Link permanente | Comments (0) |

Terça-feira, Outubro 17, 2006

Haverá rematch ou não?

 

     Ao ler os interessantes comentários de dois dos nossos leitores, parece-nos pertinente questionar a legitimidade de Topalov para exigir um rematch, e perceber também qual será o sistema utilizado pela FIDE para disputar o Campeonato do Mundo. Irá continuar a longa tradição dos matches, ou o Campeão do Mundo será decidido através de um torneio? Quem disputará o título com Kramnik?

    Concordamos com a ideia de José Ribeiro, de que o vencedor do Torneio do México em 2007 deveria jogar contra Kramnik, disputando desta forma o título de Campeão do Mundo. Pensamos, que seria a forma mais justa de disputar o Campeonato do Mundo, porque decidir o título a partir de um simples torneio não nos parece muito credível, e não irá certamente contribuir para existir uma maior estabilidade no futuro da modalidade.

    Se olharmos com atenção os regulamentos da FIDE, Topalov terá direito a um rematch, pois qualquer ex-Campeão do Mundo ou jogador com Elo FIDE superior a 2700 pode desafiar o actual titular. Desde que reúna a quantia de um milhão e meio de dólares e garanta o valor do prémio. Se essa quantia for inferior a um milhão e meio de doláres o actual Campeão do Mundo tem o direito de negociar a proposta, aceitando-a ou não. Danailov pensa investir o valor do prémio, ganho por Topalov, num rematch, lançando assim um desafio ao actual Campeão do Mundo. Resta saber, como é que a FIDE irá reagir a esta proposta, e se Kramnik estará disposto a participar noutro campeonato, depois dos acontecimentos que ocorreram em Elista...

Escrito por Peãodobrado em 04:34:21 | Link permanente | Comments (0) |

Sábado, Agosto 05, 2006

Opinião: A linguagem gestual perante o tabuleiro

      

                                  "O Jogador de Xadrez" - Ralph M. Larmann © 1999 

        Quando participo em torneios tenho observado atitudes muito diversas por parte dos meus adversários. Mas aquela que tem sido mais característica é o simples "aceno com a cabeça". Geralmente acenam com a cabeça diversas vezes durante um jogo, ora positivamente sempre que fazemos um lance correcto, ora negativamente quando o lance não é considerado favorável. Quero acreditar que esta atitude é inocente e não tem nenhum objectivo a priori, que é apenas uma forma espontânea de acompanhar o jogo e uma espécie de comentário gestual ao desenrolar da partida. Contudo, esta situação pode ser bastante perigosa na medida que nos transmite uma sensação de confiança, como se a vitória estivesse de imediato ao nosso alcance. Mas a experiência já nos mostrou que acreditar em vitórias prematuras, só irá prejudicar o nosso desempenho, pois o excesso de confiança poderá levar-nos a realizar lances pouco reflectidos e incorrectos.

 

Escrito por Peãodobrado em 14:42:19 | Link permanente | Comments (0) |

Quarta-feira, Julho 12, 2006

Opinião: Xadrez e Futebol

       

         As diferenças entre o xadrez e o futebol são tão evidentes que seria um pouco despropositado enumerá-las, contudo quero aqui assinalar um acontecimento que me deixou perplexo e desiludido com o futebol. Durante a final do Campeonato do Mundo todos assistimos àquela cabeçada de Zidane no peito do seu adversário, que desencadeou a sua expulsão dos relvados. Lamentei que um jogador como Zidane não resistisse às provocações do adversário, acabando por manchar a sua ilustre carreira com este incidente desnecessário. Mas o que me deixou estupefacto, foi o facto de Zidane ter sido "presenteado" com o título de melhor jogador do mundial, depois daquela atitude condenável. A FIFA devia promover o "fair-play" no futebol, mas pelo contrário recompensa quem não age segundo as regras da disciplina.

        Felizmente no xadrez nunca observei cabeçadas entre os jogadores, apenas alguns insultos entre GM e MI durante a pressão de um jogo semi-rápido. Mas certamente que as equipas de topo mundial não admitiriam um comportamento desta natureza, e isso foi bem claro durante as Olimpíadas de Turim. 

        Penso que nesta perspectiva, o xadrez terá muito para ensinar ao futebol....

Escrito por Peãodobrado em 14:00:27 | Link permanente | Comments (0) |