Tabuleiro de Xadrez de Daniel Buren






No Parque Zabeel no Dubai, um dos maiores parques públicos da região, existe um conjunto de esculturas como é o caso do trabalho desenvolvido por David Harber. Este artista instalou três trabalhos que procuraram estabelecer uma estreita relação com aquele local específico. Uma dessas obras inspirou-se na ligação entre aquela região e a origem do xadrez, resultando numa escultura em forma de cubo, que apresenta um superfície enxadrezada que incorpora pequenos quadrados em aço polido. Esta escultura tem a particularidade de reflectir todo o espaço envolvente e projectar à sua volta a forma do tabuleiro. É, portanto, mais um exemplo criativo de associação entre a arte e a cultura encaquística, que merece ser usufruído.

Até ao dia 28 de Abril está patente uma exposição do artista/fotógrafo espanhol Chema Matoz na galeria 111. . Existem pelo menos dois motivos para visitar esta exposição: é uma obra relevante na produção da fotografia contemporânea, ao apresentar imagens que jogam de forma poética com a matéria, criando diversas associações entre objectos que nos remetem para uma realidade diferente. A segunda razão deve-se ao facto do artista utilizar o xadrez nas suas composições fotográficas, ora através da imagem do próprio tabuleiro em relação com outros objectos, ora através da simples utilização de um padrão enxadrezado. É particularmente interessante tentar desvendar a multiplicidade de sugestões que este artista propõe com as suas imagens, sobretudo naquelas que apresentam motivos encaquisticos.

Chema Madoz vive e trabalha em Madrid. Entre as inúmeras colecções em que está representado, pode-se “destacar as do Museu de Arte Rainha Sofia, do Centro Galego de Arte Contemporáneo, da Telefonica, da Fundación Cultural Banesto, da Fundación Juan March, do IVAM e da Fotocolectania. Em 2000, Madoz recebeu os prémios PhotoEspaña, Overseas Photographer do Higasikawa PhotoFestival no Japão, e o Premio Nacional de Fotografía, atribuído pelo Ministério da Cultura espanhol.”

Apresentamos uma Vaca dedicada ao tema do xadrez realizada pelo artista Nikolay Lyutskanov e inserida na CowParade de Atlanta no ano de 2003.

MAX ERNST
“The King Playing With the Queen”, Bronze, 1954.
Como muitas outras esculturas de Max Ernst do mesmo período, ”The King Playing with the Queen” é resultado de um processo de assemblage (junção de elementos) de diversas formas, como recipientes e objectos domésticos. Esta obra é uma alusão lúdica ao gosto dos Surrealistas pelo xadrez, onde a figura de um rei se ergue de uma base com pequenos elementos que se assemelham às peças de um tabuleiro. O rei é ao mesmo tempo o único jogador e uma das peças do jogo. Esta evocação do jogador-manipulador também se refere a uma temática, típica do movimento surrealista, ligada ao domínio e manipulação sexual.

Em 1992, o artista americano Tom Otterness, fez uma intervenção escultórica para o Baterry Parck City, em Nova Iorque, intitulada The Real World. Este trabalho é composto por um conjunto de esculturas em bronze, onde podemos observar diversos objectos, seres e pequenas criaturas que interagem entre si, criando à sua volta um mundo de fantasia que estimula a curiosidade do espectador. As esculturas são realizadas especificamente para cada local, e por isso, o artista estabelece relações com a paisagem e a arquitectura envolvente, procurando integrar o seu trabalho nos objectos existentes. Estas imagens apresentam dois tabuleiros de xadrez em bronze, cujas peças são transportadas por pequenas figuras, ou amontoadas lateralmente como se acabassem de ser movidas. É um trabalho de grande originalidade, que se destaca pelo modo como o artista imprime movimento a todo o conjunto, e as formas ganham vida própria.
